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21/09/2023 | 09h44min

Marcas da ditadura: romance narra histórias de dor e resistência sobre a mãe de um filho desaparecido

Em "Tia Beth", Leonardo de Moraes retrata como a violência do regime militar reverbera nos dias atuais

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Tia Beth, mãe sobrevivente da ditadura militar brasileira, é a personagem que dá nome ao romance do escritor e professor de Direitos Humanos, Leonardo de Moraes. Solitária e distante dos membros da família, ninguém fala que o único filho dela desapareceu durante o regime. Este silêncio atravessa gerações, até que ela decide contar sua história para um sobrinho-neto com objetivo de registrar as memórias da época em um livro.

 

Assim, o jovem Leonardo conhece o contexto social, histórico e político do país a partir dos relatos de uma mulher que vivenciou os principais momentos do Brasil no último século. Ao mesmo tempo que imerge no passado, esse contato auxilia o garoto a lidar com os próprios conflitos pessoais e a fortalecer elos familiares. Com uma narrativa fluida composta por capítulos curtos, que equilibram diálogos, reflexões internas, cartas íntimas e textos de diários, o autor expõe lutos, dores e traumas causados durante a ditadura.

 

Tavinho era nossa única luz, nossa vida, nosso futuro. Quando ele se foi, por Deus, durante um tempo, continuamos sem acreditar que ele pudesse ter morrido, ficamos em negação, pulando de investigador em investigador, político em político, militar em militar. Eu fiz loucuras pra conseguir informações, que até abalaram meu casamento... quando teu tio Tatá começou a acreditar na morte do filho, acho que foi aí que ele começou a adoecer. (Tia Beth, pg. 112)

 

Ao abordar experiências pessoais, Beth explica como o conservadorismo e os preconceitos sociais afetaram suas escolhas. Entretanto, ela também percorre períodos marcantes para a população, como a Segunda Guerra Mundial; a criação de campos de concentração para imigrantes japoneses, italianos e alemães; a alienação política; a efervescência cultural dos anos 1960; e a resistência dos artistas contra o regime militar.

 

Todas essas questões são narradas por meio da perspectiva de uma mulher de família rica, que não se percebia como politicamente engajada. O autor comenta: “a história mostra como uma família tenta sobreviver apesar dos abusos do estado e das loucuras feitas pelos homens. A obra trata sobre os pensamentos de uma mãe, que não consegue entender em que momento as pessoas passam a odiar umas às outras e o que há de tão errado com a sociedade para vivermos movimentos cíclicos de violência”.

 

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