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02/11/2020 | 09h42min

Mesmo com a pandemia, contratação de temporários quase dobra em 2020

De janeiro a setembro deste ano, foram a modalidade empregou 1.531.620 pessoas frente a 1.049.082 em 2019

Foto: Ieda BeltrãoFoto: Ieda Beltrão

Mesmo com os impactos negativos da pandemia na economia, o número de contratações de trabalhadores temporários no Brasil em 2020 foi 46% maior do que em 2019, segundo dados da Assertem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário). De janeiro a setembro de 2020, foram contratadas 1.531.620 pessoas, frente a 1.049.082 no mesmo período do ano anterior.

 

A Assertem projeta que, até o final do ano, o crescimento será de 28% frente a 2019, já que espera 1.900.783 contratações até dezembro deste ano. O presidente da Assertem, Marcos de Abreu, afirma que 2020 começou com índices bem altos de emprego em janeiro a março, principalmente por causa do verão e do agronegócio.

 

Em abril e maio, o setor chegou sentiu uma quebra de expectativa com a chegada da pandemia, mas conseguiu manter as contratações próximas ao mesmo período do ano anterior, por causa das vagas nas áreas farmacêuticas, pelo aumento na compra de medicamentos, e médica, pela construção dos hospitais de campanha.

 

Para ele, essa modalidade de contração se encaixou bem a imprevisibilidade do futuro e a emergência causadas pela pandemia de Covid-19. “Não aconteceu só no Brasil, o trabalho temporário cresceu em outros lugares do mundo. Mas ainda tem muita coisa para crescer”, disse Abreu. A partir de junho, o trabalho temporário começou a subir novamente e, até setembro, teve resultados mensais mais altos do que em 2019. Segundo a Assertem, agosto de 2020 registrou o melhor patamar de contratações da série histórica, iniciada há 10 anos.

 

O professor dos MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas) Mauro Rochlin afirma que a melhoria na legislação para o trabalho temporário é um dos itens que pode ter influenciado o aumento das vagas em 2020. Além disso, fala sobre o possível impacto do auxílio emergencial e da MP do Emprego.

 

“O auxílio emergencial, nos últimos três, quatro meses, está tendo um efeito muito importante sobre o varejo. Ainda que a gente tenha tido um fechamento grande de vagas de trabalho, o auxílio é pago para 60 milhões de pessoas. A gente começou a ver alguns setores respondem a um estímulo de demanda”, afirma Rochlin. Segundo ele, alguns setores que mostraram reação mais forte foram o de materiais de construção e de eletrodomésticos.

 

A demanda reprimida também é outro fator que deve ser levado em consideração para o varejo e, consequentemente, para a geração de vagas temporárias.


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