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31/07/2021 | 13h12min

Editorial: Rádio Santiago, um sonho que se tornou parte de uma comunidade

Um ideal de Jaime Medeiros Pinto que completa 70 anos de comunicação

Jaime Medeiros Pinto: Foto: Arquivo Rádio SantiagoJaime Medeiros Pinto: Foto: Arquivo Rádio Santiago

É testamento da alma a Rádio Santiago

 

A máquina de escrever repousa em silêncio diante do olhar inquieto de um jovem de traços marcantes. Seus olhos castanhos profundos pousam como águia nas teclas frágeis da máquina verde musgo, dedos ágeis acariciam cada letra como se fossem sagradas, como se procurassem uma resposta. Cabeça baixa olha para fora e observa de uma velha janela, as ruas daquela cidade.  Uma lágrima teima em rolar pelo belo rosto, uma lágrima que quer apagar a poeira, quer dar voz, quer trazer sorrisos, que tornar sonhos realidade... quer ajudar na longa caminhada da vida de uma comunidade de tão poucos anos.

 

O vento quente brinca com a cortina desbotada pelo tempo, toca em seu braço e ele desperta daquele torpor incomodo. Seus olhos pousam angustiados na máquina, que continua impassível diante de seu mestre, disponível aos seus anseios de poeta e comunicador. Devagar sentou-se e pousou docemente seus dedos sobre as teclas que agora tremeram diante de seu toque e na folha virgem, gravou duas palavras: Rádio Santiago.

 

Pronto! Sem pressa, com a delicadeza de um sábio, pegou a folha e por longo tempo ficou a olhar aquelas duas palavras. O coração batia forte, as lágrimas molharam seu rosto, a voz embargada repetia devagar “Rádio Santiago”, sim era isso que seria, era dessa forma que diria àquela cidade chamada Santiago, o quantosentia orgulho de ser seu filho e que pela comunicação daria sua contribuição para que crescesse, prosperasse e se tornasse um grande e valioso município.

 

Um sorriso surgiu em seus lábios, um riso solto e a voz de trovão se espalhou muito além da máquina de escrever, ela chegou aos microfones, agora santiaguenses, e foi se juntando a outras vozes alegres, voluntariosas, umas noticiando, outras bailando, alegrando, era a Rádio Santiago que foi se inserindo em uma comunidade cheia de sonhos, com sede de comunicação, querendo ver, sentir, pedir, elogiar, amar, se conhecer, dividir o nascimento, participar o casamento, o noivado, chorar a dor da perda, abraçar, convidar, dizer que não estavam sozinhos no luto.  Era a Rádio Santiago inserida nos lares, passeando pelo interior, arando a terra, derretendo a geada, aplacando o calor, sentido o coração bater a cada colheita, marcando, tropeando. Era a Rádio Santiago no fole da gaita, no dedilhar do violão, nas grandes vozes do tradicionalismo, passeando, acompanhando o samba, rock, MPB, nos clássicos, na emoção dos apaixonados, dos amantes, dos casais enamorados através de suas ondas mágicas.

 

Era sim a Rádio Santiago vendo a poeira sumir, a água ser instalada com toda a sua força, a luz tomar conta de todos os postes, das ruas calçadas, dos prédios surgindo, dos espaços sendo tomados por bairros, do comercio crescendo, dos serviços tomando espaços e profissionais chegando.

 

A Rádio Santiago ganhando cada vez mais força, potência, uma antena rasgando o céu para que chegasse mais e mais longe. A tecnologia ganhando espaço em seus equipamentos cada vez mais potentes.

 

O tempo passando, a história se desenhando, mudando o mundo e os microfones da Rádio Santiago generosos, recebendo grandes profissionais e pessoas que a tornavam cada vez mais presente em todos os locais, por toda parte.

 

E o homem da máquina verde musgo cada vez mais apaixonado, junto a sua equipe gritava aos quatro cantos que era preciso continuar, era preciso seguir em frente, mesmo diante das maiores dificuldades, era preciso andar. E assim se fez! 70 anos se passaram, 70 anos da Rádio Santiago. Ele, Jaime Medeiros Pinto não está mais aqui, mas seu recado foi tão claro, que seu legado continua com a força e respeito de um trovão. A chama desse amor foi gravada no coração de uma comunidade que foi passando de geração para geração.

 

Rádio Santiago: duas palavras escritas em papel virgem, para levar a uma comunidade, comunicação lá em 1951, segue em frente gravada em linhas de aço no coração de uma cidade, em 2021 e por tantos e tantos anos que vierem.

 

A cortina se fecha, o homem de sorriso belo, de profundos olhos castanhos suspira: missão cumprida. As teclas descansam, mas seu legado jamais, é testamento da alma a Rádio Santiago. 

 

Autor:  Ieda Beltrão

 


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