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07/01/2019 | 13h25min

Brasileiro não gosta de ler: um mito transponível

Texto da professora Paula Reis Oliveira para o Dia do Leitor, 7 de janeiro

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

O cabritinho Bebeu passeia nas nuvens* foi meu primeiro companheiro de cabeceira, isso por volta de 1986... quando eu tinha em torno de 4 anos. O livro conta a história de um pequeno animal inconformado com suas cercas: ele queria mais, queria ver o céu de perto! De 86 para cá, foram inúmeros os títulos e as aventuras que fizeram parte das minhas tardes chuvosas, das minhas férias e das minhas noites de leitura à luz fraca. Tantos anos e tantas linhas me levaram a contrariar um mito que me parece ser orgulhosamente difundido no país: brasileiro não gosta de ler!

 

O instituto pró-livro nos aponta que o Brasil tem em torno de 95 milhões de pessoas que leem 4 ou mais livros por ano: leem porque querem, porque gostam, porque sabem, porque foram incentivados, porque compram livros, porque emprestam, porque ganham, leem porque sim! Em contrapartida, há 77 milhões de pessoas que não leem: não o fazem porque não gostam, porque não querem, porque não têm tempo, porque não sabem, porque não têm acesso. Não leem porque, culturalmente, foram talhados a acreditar que o livro e o ato de ler é menos importante ou menos atrativa que outras formas de cultura ou de lazer.  

 

Cresci submersa nas narrativas orais de todas as noites na voz afável de mamãe e no mundo dos livros, ganhando uns de presente aqui, herdando outros de segunda mão ali... filha de pai mecânico e mãe dona de casa, me tornei professora e doutora em língua portuguesa graças, em muito, ao inconformismo com a minha própria fazenda e em querer subir montanhas, assim como na narrativa de Bebeu que dizia “Havia uma fazenda e o cabritinho Bebeu morava ali, na companhia de outros animais. O maior desejo de Bebeu era subir a montanha para ver o céu bem de perto...”

 

Enquanto vamos subindo, é possível apreciar a beleza da aprendizagem do caminho e lá no alto da montanha [de livros] ver livremente o céu de perto e até brincar de descobrir desenhos em nuvens; vemos também um belo caminho a ser escrito com lápis e muitas palavras, ao lado dele os conformados que fazem ecoar os mitos de suas cercas de que o mundo das letras é para poucos, por fim, os inconformados que insistem em pôr o pé na estrada, enxergando em Monteiro Lobato o Norte: Um país se faz com homens e livros

 

*De autoria de Celso Mathias, Marien Calixte E Milson Henriques

Autora do artigo: Professora Dra. Paula Reis Oliveira, Coordenadora do curso de Letras do Centro Universitário Internacional Uninter


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